Interesse pelo Brasil marca a 9ª edição da Flip, que começa hoje



As primeiras atrações a terem ingressos esgotados, em questão de minutos, foram a mesa de João Ubaldo Ribeiro e a conferência de abertura, de Antonio Candido, algo raro num encontro cujas estrelas mais concorridas costumavam ser estrangeiras.

Se algo mudou no interesse do público, as próprias presenças de Ubaldo, prosador do primeiro time das letras nacionais, e Candido, tido como o maior crítico brasileiro vivo, denotam variação no enfoque da curadoria.

Uma mesa de nativos, o neurocientista Miguel Nicolelis e o filósofo e colunista da Folha Luiz Felipe Pondé –outra a ter ingressos esgotados nas primeiras horas–, vai fechar a programação de um dos dias da festa (na quinta), feito igualmente incomum no encontro.

E o homenageado, Oswald de Andrade (1890-1954), intérprete-fundador de uma noção de brasilidade que valoriza a cultura nacional sem submissão nem ojeriza ao estrangeiro, é um ícone do modernismo autóctone.

Para onde se olhe, a 9ª Festa Literária Internacional de Paraty, que começa hoje, às 19h, justamente com a conferência de Candido sobre o homenageado –“Oswald de Andrade: Devoração e Mobilidade”–, revela um perfil mais brasileiro.

O que não exclui os destaques internacionais. Como de costume, há um equilíbrio numérico: dos convidados, 18 são estrangeiros e 15 brasileiros, além do ítalo-brasileiro Contardo Calligaris, colunista da Folha.

“A partir da escolha do Oswald como homenageado, acabou havendo quase espontaneamente uma relação com outros eventos”, afirma o curador da Flip, Manuel da Costa Pinto.

Para ele, João Ubaldo é um dos raros autores vivos a dialogar com a antropofagia de Oswald –o outro, diz, seria Augusto de Campos, que não aceitou o convite.

Ubaldo, que boicotou a Flip em 2004, alegando ter sido subestimado em detrimento dos estrangeiros e que a festa era voltada a autores da Companhia das Letras, avalia que “a Flip já
‘cresceu’ e, como adulta, não comete mais erros juvenis”. “Tudo bem, toda a força para a Flip. Vida longa”, disse à Folha.

E, por fim, mas não por último, o encerramento da festa, simultaneamente à tradicional leitura dos livros de cabeceira de alguns convidados, fica por conta de um dos grandes intérpretes de Oswald, José Celso Martinez Corrêa, que com seu Teatro Oficina Uzyna Uzona apresenta no domingo sua “Macumba Antropófaga”.

Nada mais tupi.

Fonte: Folha.com

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