Entrevista: Fernanda Carlos Borges fala sobre o livro “Torres em Transe”

A autora do livro Torres em Transe, Fernanda Carlos Borges, bateu um papo com a equipe do blog da nVersos Editora e contou detalhes sobre sua nova obra, que já tem data marcada para lançamento: dia 16 de setembro, na Feira do Livro de Torres – RS.
Confira a entrevista e reserve seu exemplar no site da nVersos Editora.

 

É um projeto, digamos, intelectual que venho pensando há muito tempo, com um motor a mais, o emocional. Estou com um sentimento de sinceridade comigo mesma e de ‘dever cumprido’“, Fernanda Carlos Borges

 

nVersos Editora – O livro “Torres em Transe” partiu de quais motivações?

Fernanda Carlos Borges A ideia de escrever esta história nasceu de três motivos diferentes. O primeiro deles é porque eu sou “torrense” e essa cidade tem uma história com características muito locais e pouco conhecidas.

O segundo motivo é relacionado à literatura. Em meu processo acadêmico, estudei duas coisas que mexeram comigo particularmente. Uma delas foi um romance de [Jean Paul] Sartre, “A Náusea”. O personagem, ao longo de um processo que ele chama de “náusea”, tem alterações em seu estado de consciência, no qual ele vai descreve por meio de alterações em seu corpo. Mais tarde em minha vida, estudei Antropofagia Cultural, na qual o criador, Oswald de Andrade, diz que o brasileiro não é existencialista. A obra “Torres em Transe” passa por esses dois elementos, o que chamo de releitura antropofágica.

E o terceiro está relacionado à passagem em que a cidade de Torres se encontra. Torres é um lugar em que se passa e não se fica. A passagem de Torres se confunde no livro com a iniciação da personagem, Maria, na medida em que ela vai ampliando sua consciência, saindo do lugar comum.

 

nVersos – Qual a trama que permeia o livro?

Fernanda – Trata-se de uma escritora torrense que retorna à sua cidade natal movida por um mal-estar que a faz ficar obcecada por seus antepassados. Nessa viagem, seus sintomas se acentuam, levando-a a estados de transe. Nesses momentos, ela retoma a história da cidade e as relações sociais dela decorrentes, vindo a compreender melhor a si mesma. Desse modo, o livro eleva a cidade e o destino da personagem a um estado mítico que produz a redenção da personagem.

 

nVersos – Um dos diferenciais do livro são as colagens do artista plástico Ricardo Castro. O que elas representam?

Fernanda – Estas colagens são originárias de postais e fotos, tanto antigas como atuais. A capa é o primeiro exemplo disso. Essas colagens representam a resolução da tensão que existe entre a cidade como personagem, e a própria personagem. As montagens são feitas pela própria narradora em primeira pessoa do livro, que é um diário, na tentativa de conter o risco de fragmentação que ela sente, e que resolve até o final da narrativa. Esse desfecho é a surpresa do livro.


nVersos – Quais motivos atrairiam leitores para Torres em Transe?

Fernanda – Ao público em geral, a busca por autoconhecimento, a cultura geral e até a diversão, por se tratar de um livro que relata a aventura vivida pela personagem. Ao público torrense, um objeto de lembrança da própria cidade e a referência sobre a subjetividade do município, bem como a cultura e a história local.

 

nVersos – Qual o sentimento que você acredita que o público (especialmente o torrense) pode ter após a leitura do livro?

Fernanda – Acredito que algumas delas podem se identificar com a personagem, na medida em que ela pode ser uma “torrense arquetípica”. O livro trata da subjetividade da cidade por meio da personagem, Maria Aparecida, por isso, muitas pessoas que moram ou passam por lá podem ter sido envolvidas por essa subjetividade. O lugar onde nascemos e crescemos é muito importante na formação de quem somos em nossos limites e possibilidades. Nesse caso, o livro interessa a todas as pessoas, porque todas nasceram em algum lugar, e não em qualquer lugar. Entender essa relação permite saber de onde partimos, quando queremos prosseguir…

 

nVersos – O que representa para você a concretização dessa obra?

Fernanda – É um projeto, digamos, intelectual que venho pensando há muito tempo, com um motor a mais, o emocional. Estou com um sentimento de sinceridade comigo mesma e de “dever cumprido”. Sinto também muita gratidão com todos que colaboraram para que esse livro ficasse tão bonito: o artista Ricardo Castro, que cedeu sua genialidade artística para as colagens feitas pela personagem e toda a equipe da nVersos Editora que se dedicou e continua se dedicando tão bem ao livro.

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2 Respostas para “Entrevista: Fernanda Carlos Borges fala sobre o livro “Torres em Transe”

  1. Fernanda, é provável que nem lembres de mim porque faz muito tempo… Mas quero deixar meu abraço, meus cumprimentos e deixar claro meu desejo de que continues realizando teus sonhos, teus projetos. Me emociono ao ver aqueles pequeninos, que um certo tempo acompanhei e hoje são estes adultos maravilhosos, batalhadores e heróis. Digo heróis porque assim considero quem não desiste, quem continua lutando mesmo enfrentando obstáculos e dificuldades. Um grande abraço e muitas felicidades.
    Vera Cardoso (morava em Torres, tua vizinha e professora no Jardim de Infância)

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