Em alta na crise, país atrai dinheiro de ‘anjos’

Aposta em empresas iniciantes é vista por executivos como forma de diversificar investimentos e apoiar a inovação

A crise global e a turbulência nos mercados começam a impulsionar um modelo de investimento voltado à inovação. Importada de polos como o Vale do Silício, na Califórnia, a figura do investidor-anjo começa a ganhar corpo no Brasil como alternativa ao financiamento de startups (empresas iniciantes). No modelo, grupos ou pessoas físicas aportam capital financeiro e expertise em troca de participações minoritárias em projetos em estágio pré-operacional.

Após 25 anos como empresário do setor de TI, Cassio Spina criou a Anjos do Brasil, para fomentar o crescimento e a criação de redes de anjos. Uma das metas é mapear dados dessa cadeia, ainda escassos. Com base em pesquisas sobre empreendedorismo e do IBGE, ele estima que o Brasil tenha cerca de cinco mil investidores-anjo e R$ 500 milhões já aplicados por eles em empresas com capital entre R$ 100 mil e R$ 500 mil.

Aposta em inovação requer baixa aversão ao risco

— É um investimento em inovação e de risco, por isso a praxe é não aportar em um único negócio. Investir num Google é uma exceção, mas quando dá certo o retorno pode ser de 40% a 50% ao ano — diz Spina.

A aposta em empresas novatas envolve não só motivações financeiras, mas muitas vezes pessoais. O perfil do anjo engloba, com frequência, empresários que já estiveram “do outro lado do balcão”, como o sócio da Biruta Ideia Mirabolantes e anjo, Alan James. A Biruta foi gerada na Iniciativa Jovem, incubadora de empresas da Shell. Cinco anos depois, em 2008, James replicou a ideia com a Experimental, que abriga nove empresas de comunicação e, por coincidência, ocupa a antiga casa da Iniciativa, em Santa Teresa.

— Não criamos a Experimental para ganhar dinheiro, mas para desenvolver projetos em que acreditamos. Mas a Creapix, da qual tenho 80% e nasceu com R$ 50 mil, já faturou R$ 1 milhão em 2010 — conta James.

Pioneira no modal, a Gávea Angels acompanha a evolução do mercado desde 2003. Presidente do Conselho Diretor da associação e pesquisador do tema, Antonio Botelho lembra que o número de investidores na Gávea caiu de 12 para quatro em 2008, mas voltou a crescer com o agravamento da crise, em 2009. Hoje reúne 27 anjos. Em sua avaliação, o cenário econômico favorável aumenta a gama de projetos com alto potencial e atrai mais investidores, inclusive estrangeiros, para o Brasil.

Empresários e investidores destacam que o papel do anjo vai além da injeção inicial de capital. Com apoio de três investidores-anjos (todos do Gávea), Marco Fishben, do site de educação on-line Descomplica, crê que o melhor dos mundos é ter o apoio de alguém com experiência no segmento de atuação da empresa.

Alguns pontos sensíveis, porém, ainda esbarram no caminho do investidor-anjo. Um deles é a saída das empresas. Como entra na sociedade em estágio embrionário, o caminho é longo até a abertura de capital, por exemplo. A opção é a venda para outro investidor ou a recompra pelo financiado. Outra questão é a falta de incentivos financeiros e tributários aos anjos.

— O nome do jogo é fazer com que o investidor abra a carteira. No Brasil isso não entrou na agenda do governo. O Estado ainda é visto como grande financiador e o setor privado, como apêndice — diz Botelho.

 

Fonte: O Globo

“Investidor Anjo – Guia Prático. Como Obter Recursos Para o Seu Negócio”, de Cassio Spina, será o próximo lançamento da nVersos Editora.

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