Qual o futuro dos livros de papel?

E, por consequência, das editoras e livrarias?

Volta e meia leio declarações de livreiros, escritores ou bibliófilos dizendo que “o livro de papel nunca vai acabar”. Eu não teria tanta certeza. Entendo perfeitamente que quem se acostumou a ler no formato impresso tenha dificuldade para se adaptar ao formato digital – eu mesmo me enquadro nesse grupo. Tendemos a imaginar que nosso desconforto é compartilhado por um número grande de pessoas, suficientes para sustentar o mercado do produto em papel, o que até é verdade atualmente.

No entanto, parodiando Keynes, a geração de leitores da qual fazemos parte estará morta no longo-prazo – e será sucedida por outra que terá aprendido a ler em gagdets digitais. Nada mais representativo disso do que o vídeo da menininha de 2 anos decepcionando-se com um livro, por ele não ter “tela” sensível ao toque como um tablet…

Mas o que será de todo o mercado que gira em torno do livro de papel quando a substituição completa pelo digital acontecer? Ou, por outra: é possível tornar rentáveis negócios “livro-dependentes” durante esse período de transição do papel ao eletrônico?

Alguns exemplos indicam que sim. E as palavras “adaptação” e “criatividade”, por mais clichês que pareçam, são as mais indicadas para defini-las.

Adaptação foi o que fizeram as grandes redes de livraria. Não tiveram muitos pruridos de deixar de vender apenas livros para comercializar, também, CDs, DVDs, papelaria e informática. E não é de duvidar que aumentem o mix de produtos nos próximos anos; a Saraiva, por exemplo, já ensaia se tornar uma supervarejista online, comercializando (quase) de tudo.

Mas e as pequenas lojas? Aquelas especializadas – em livros médicos, por exemplo –, têm mais chance de resistir, ao menos em tese. Mas mesmo para as que têm um mix mais convencional, há chances de diferenciação. Daí entra o quesito “criatividade”. Nos EUA, algumas lojas têm vendido produtos relacionados ao tema de seus livros, em prateleiras contíguas. Assim, publicações sobre jardinagem são acompanhadas de vasos e pás; livros de culinária, de apetrechos de cozinha; e assim por diante.

Outras têm promovido encontros-relâmpago entre apreciadores de literatura em suas lojas – uma forma de atrair pessoas com interesse afins (leitura e namoro) e gerar tráfego no ponto-de-venda.

E quanto às editoras? Talvez demore para isso acontecer, mas creio que o livro de papel vai se tornar um produto premium, de pequena escala e preço elevado – mais ou menos o que aconteceu com o disco de vinil, recentemente.

Nesse aspecto, a editora indiana Tara Books parece ser um bom benchmark. Especializada em livros impressos à mão, repletos de ilustrações coloridas e de acabamento refinado, a casa não faz mais de 5.000 exemplares de cada obra. No Brasil, as editoras que importam os livros da Tara, geralmente de temática infantil, vendem por R$ 50,00 a R$ 65,00 obras com no máximo 45 páginas – preço bem salgado para os padrões nacionais. Mais até do que para ler, algo para presentear, guardar e colecionar.

A transição do papel para o eletrônico não se fará sem vítimas, sabemos disso. Muitos negócios sucumbirão, mas outros tantos deverão surgir ou se fortalecer – como em todo ciclo de vida das tecnologias.

 

Fonte: Sr. Consumidor (www.amanha.com.br)

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