País tem menos leitores do que em 2007, diz pesquisa

NÁDIA GUERLENDA
DE BRASÍLIA

O número de brasileiros que leu pelo menos um livro nos últimos três meses diminuiu em comparação com 2007. É o que aponta a 3ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Ibope Inteligência em conjunto com o IPL (Instituto Pró-Livro).

O estudo, realizado entre junho e julho de 2011, classifica de “leitores” aqueles que responderam ter lido pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos três meses anteriores à pesquisa.

Em 2007, eles eram 55% da população (ou 95,6 milhões de pessoas). No resultado apresentado na tarde desta quarta-feira, o índice diminui para 50% da população (88,2 milhões de pessoas).

Em todas as regiões houve redução desse índice, menos no Nordeste. O resultado, segundo avaliação do instituto, pode ser explicado pelo grande o número de pessoas estudando atualmente na região, sobretudo na faixa etária na qual a leitura é mais frequente (dos 5 aos 17 anos).

Para a presidente do IPL, Karine Pansa, o menor número de leitores não é necessariamente negativo. “Aprofundando a análise dos resultados, percebemos indicadores que mostram uma melhor qualidade nessa leitura, com um crescimento do número de pessoas que afirmaram ler mais hoje do que em relação à última pesquisa”.

Em 2007, 40% dos entrevistados disseram que liam mais do que no ano anterior, contra 46% que disse ler menos. Em 2011, esses números foram 49% e 28%.

LIVROS POR ANO

O número de livros lidos pelos brasileiros por ano também caiu – de 4,7 por pessoa em 2007 para 4 na pesquisa referente a 2011. Esse número inclui os livros indicados pela escola. Pansa atribuiu a variação a aperfeiçoamentos na metodologia da pesquisa, “como a inversão de perguntas e o acréscimo de outras”.

A cerimônia de apresentação dos resultados contou com a presença da ministra da Cultura, Ana de Hollanda. O ministério incluiu em suas metas do Plano Nacional de Cultura o objetivo de que os brasileiros leiam quatro livros por ano fora do aprendizado formal (ou seja, excluídos aqueles indicados pela escola).

A ministra afirmou, durante o discurso, estar feliz com os resultados da pesquisa. Posteriormente, porém, ela disse que só poderia fazer uma avaliação dos índices após ter acesso ao conteúdo integral do estudo. Ela afirmou ainda que o ministério está investindo na formação de novos leitores.

A pesquisa foi feita com 5.012 pessoas de 315 municípios, com margem de erro de 1,4%.

PREFERÊNCIAS

As revistas estão em primeiro lugar na preferência dos leitores (53%), seguida pelos jornais (48%) e pelos livros, indicados ou não pela escola (47%). Em 2007, os livros não indicados pela escola superavam os indicados (50% contra 34%).

Perguntados sobre o gênero que preferem, os leitores continuam a mencionar a bíblia em primeiro (42%), seguida pelos livros didáticos, romances e livros religiosos.

Os três escritores brasileiros mais admirados são Monteiro Lobato, Machado de Assis e Paulo Coelho. De 2007 para cá, deixaram de estar entre os 25 mais citados os escritores Ruth Rocha, Edir Macedo, Castro Alves, Raquel de Queiroz e Luis Fernando Veríssimo.

Esse ano, a pesquisa incluiu pela primeira vez questões a respeito dos livros digitais (“e-books”). Como reportagem da Folha antecipou hoje, cerca de 5% dos entrevistados afirmaram já ter lido ao menos uma vez na vida um livro em formato eletrônico.

 

Fonte: Folha de SP

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