As metamorfoses de talião

Editora nVersos lança obra que configura um mosaico de gêneros sobre a vingança e as (im)possibilidades de perdão

A obra O Evangelho Segundo Talião pode ser retratada como um agudo diagnóstico social: trata-se de uma compilação de estórias e histórias que caminham entre os escombros de uma sociedade doente que padece por conta da proximidade cotidiana entre infração e norma, loucura e sanidade. Para narrar os momentos em que a vingança, o ódio e o ímpeto por redenção se fundem para guiar o curso das ações, Flávio Ricardo Vassoler escreve sobre situações e ideias supostamente esparsas e desconexas, em uma mescla de realidade e ficção que procura levar às últimas consequências as crises das personagens.

Talião vai se metamorfoseando entre as mais variadas personagens. Desde o filho que vê o pai definhar por conta de uma doença terminal que lhe murcha o corpo, mas que lhe deixa intacta a consciência – como se, até o último momento, o marujo tivesse que assistir ao próprio naufrágio –, até o assassino convicto que afirma matar para conferir um sentido vingativo às vidas esvaziadas dos parentes das vítimas, todas as histórias têm um duto subterrâneo comum: a pregação do evangelho taliônico.

Ao assentar as estórias sobre a vingança, o ódio e as tensas (im)possibilidades de perdão, o autor aproxima personagens conhecidas pela ambivalência de suas atitudes, tais como Judas Iscariotes e Capitu [protagonista do livro “Dom Casmurro”, de Machado de Assis], de histórias contemporâneas eleitas pela mídia como paradigmas de tensão – e audiência. Tais situações mostram que os preceitos bíblicos que estipulam “a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra” não apenas deixam de ser seguidos, como se transformam, muitas vezes, em refinado sadomasoquismo: a felicidade pelo perdão se confunde com o prazer diante da dor que o outro nos impinge quando oferecemos a outra face.

Com nomeações de “capítulos” bastante peculiares, o livro é dividido em seis partes: A paz entre os escombros, Pulp Fiction, La petite mort, Nada de novo no front, Confesso que sobrevivi e Se queres paz, prepara-te para a guerra. Essa divisão possibilita ao autor abordar as mais diversas esferas sociais e mostra que, por mais diferentes que sejam os valores e as lógicas de relação, as tensões humanas se (re)configuram de modos análogos.

O constante tom de ironia, somado às analogias e metáforas, torna a leitura repleta de referências. Com linguagem diversificada e polifônica, alternando contos, colagens de reportagens, crônicas, ensaios e outros gêneros literários, a presença de muitos diálogos aproxima o leitor da obra e o torna confidente e/ou cúmplice das “fissões e confissões” realizadas pelas personagens.

Como uma colcha de retalhos, a voz sintetizada pelo título está (oni)presente na montagem da obra e a leitura e a compreensão caminham de acordo com a bagagem cultural do leitor. Assim, ele talvez se sinta atingido e/ou culpado. Ou então poderá reconhecer opiniões, personagens e nomes de vários acontecimentos históricos e fatos midiáticos que ficaram marcados na memória da sociedade.

O lançamento acontecerá em São Paulo, no dia 20 de abril, às 18h, na livraria Martins Fontes – Av. Paulista, 509. Haverá um debate sobre a obra que contará com a participação de Dmitri Cerboncini Fernandes, professor de Sociologia da Universidade Federal de Juiz de Fora, e Vera Lúcia Bastazin, professora de Teoria Literária da PUC-SP, e que será mediado pela jornalista Talita Mochiute Cruz, mestranda em Teoria Literária pela Faculdade de Letras da USP.

Ficha Técnica
Editora: nVersos
Páginas:
304 páginas
Formato:
16 x 23
Preço:
55,00
ISBN:
978-85-64013-64-3

Sobre o autor
Flávio Ricardo Vassoler tem 31 anos. Após se decepcionar com o Direito sob as pomposas arcadas do Largo de São Francisco, Flávio Ricardo se transferiu para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP para estudar Ciências Sociais, curso que concluiu em 2007. No ano seguinte, tendo iniciado sua pesquisa de mestrado sobre Fiódor Dostoiévski junto ao Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da FFLCH-USP, Flávio foi viver em Moscou para concretizar o aprendizado da língua que Dostoiévski legou a Stalin.
Em meados de 2010, obteve o título de mestre em Teoria Literária e continuou a escavar o Subsolo das Memórias, www.subsolodasmemorias.blogspot.com, página em que posta fragmentos de seus trabalhos literários e fotonarrativas de suas viagens pelo mundo.

Confira o vídeo sobre a obra

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