Para se embriagar em palavras – 1

Não é de hoje a relação íntima que os escritores têm com os bares, tabernas, adegas e outros lugares onde bebidas podem ser encontradas. Desde os poetas românticos (e até antes deles), como Byron e Augusto dos Anjos, passando por Bukowski e suas inseparáveis garrafas de vinho, o gosto pela embriaguez parece acompanhar muitos dos mais famosos escritores de todos os tempos. E como não poderia deixar de ser, escritores famosos que apreciam os prazeres etílicos tendem a ter bares prefereridos, que acabam ficando famosos graças aos artífices de palavras que frequentam sua mesa. A fama dos bares acaba inspirando aspirantes a escritores, e, quem sabe daqui cinquenta anos, esse ciclo se repita com os frequentadores atuais. Pra quem pensa em se tornar escritor, aqui estão alguns dos lugares onde buscar inspiração:

1. The Eagle and Child (Oxford, Inglaterra)

O Eagle and Child é um pub universitário fundado em meados do século XVII, famoso por ter sido o local onde J.R.R. Tolkien (O Hobbit, O Senhor dos Anéis) e C.S. Lewis (As Crônicas de Nárnia), além do grupo de jovens escritores que os dois faziam parte, intitulados Inklings. O grupo se reuniu no bar por cerca de 17 anos, entre 1933 e 1950 no lounge privado do bar, chamado Rabbit Hole para ler, ouvir e discutir os manuscritos uns dos outros. No prefácio da edição nacional de O Senhor dos Anéis – volume único, estão relatados por Tolkien alguns desses encontros.

Como não podia deixar de ser, depois de ser frequentado por personalidades tão notórias, a sala que era frequentada pelos escritores agora é repleta de fotos e outros souvenires dos autores, incluindo um bilhete escrito
“Os abaixo-assinados, tendo acabado de dividir o seu presunto, beberam à sua saúde” – dos autores para o antigo proprietário.

eagle  and child

2. El Floridita (Havana, Cuba)

Não é segredo que Ernest Hemingway viveu uma boa conta de anos em Cuba (20, para ser mais preciso), o período, além de ter servido para inspirar o autor a escrever sua mais importante obra, O Velho e o Mar, também serviu para apresentar para ele o bar El Floridita, seu lugar favorito durante todo o tempo que viveu na ilha. Graças à fama de escritor (e de boêmio) de Hemingway, sua presença frequente ajudou a popularizar o lugar e a especialidade da casa, o daiquiri (do que o bar era considerado o berço), que era seu drinque favorito. Tal amor mútuo não iria passar sem uma homenagem, e hoje, o El Floridita tem um banco dedicado a Hemingway junto ao bar, além de um busto, uma estátua de bronze em tamanho natural e outras recordações.

el floridita

3. Les Deux Magots (Paris, França).

A cena literária francesa do começo do século XX era vibrante de vozes, sotaques e influências. A cafeteria Les Deux Magots era o ponto de encontro preferido de artistas, escritores, intelectuais e outros membros da esfera cultural parisiense da época. Entre seus frequentadores famosos estavam o casal de intelectuais franceses Simone de Beauvoir, Jean-Paul Sartre, Albert Camus e, já que ele estava em Paris na época e ali era um lugar em que se bebia, Hemingway. O local hoje é um reduto de turistas, mas conserva sua atmosfera e quem sabe até alguns sopros da genialidade dos escritores que costumavam ver a tarde pensar sentados nas cadeiras de vime na calçada.

les deux magots

fonte: Buzzfeed

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