Brasil deverá ter mais de 300 feiras literárias em 2015

Na contramão da média de livros lida por ano (2 exemplares, de acordo com a última pesquisa “Retratos da literatura no Brasil” de 2012, do Instituto Pró-Livro), o Brasil tem visto um crescimento anual do número de feiras, salões, bienais, festivais e outros eventos literários em todo o território nacional. Os levantamentos do Ministério da Cultura dão conta que o número de eventos do tipo passou de 257 em 2013 para pelo menos 320 em 2014. Em 2015, esse número deve ficar novamente acima das três centenas.

E não é apenas o número de eventos que cresce, fazendo perguntar por que, com tantos eventos, ainda se lê pouco no país. O público desses eventos também cresce, chegando a rivalizar com eventos como blocos de carnaval: A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto teve um total de público de 450 mil pessoas em 2013, pouco menos que o Bloco da Preta, liderado pela cantora Preta Gil, reuniu no último carnaval.

Autores avaliam que a importância dessas feiras vai além da demonstração de que o livro tem público no país, e que elas servem para retomar o debate sobre literatura por meio de atividades, troca e interação entre leitores, autores, editores e pessoas ligadas à área. Além disso, é a retomada do poder do livro como signo, da possível retomada do interesse pela leitura.

O motivo da proliferação de feiras literárias é creditada ao sucesso da Feira Literária Internacional de Paraty, atualmente na 13ª edição. Entre os nomes internacionais que já participaram da Flip, estão Robert Crumb, Eric Hosbawn, Neil Gailman e outros escritores de renome internacional. O sucesso é tanto que mesmo o nome da feira tem sido adaptado em outros eventos, como a Fliparanapiacaba, em Santo André, São Paulo ou a Flimar, em Marechal Deodoro, Alagoas, cada uma com seu atrativo particular: A Feira Literária Internacional de Cachoeira, na Bahia, acontece dentro de um convento, por exemplo.

Desde 2006, o BNDES já dedicou mais de 1,2 bilhão de reais para financiar boa parte de projetos do mercado editorial. Uma parte significativa dessa quantia foi destinada a feiras e eventos literários.

Obviamente nem tudo são flores e existem eventos mal organizados com a intenção de apenas arrecadar recursos governamentais, mas devido à profissionalização exponencial do meio e do mercado fechado e ainda pequeno, tais eventos não conseguem ganhar longevidade, uma vez que o público corresponde de acordo com o que a curadoria oferece. A grande força dos eventos literários é a capacidade da literatura de circundar-se de outras áreas da cultura, dando a elas espaço sem nunca deixar de falar de si, em literatura fala-se de cinema, de teatro, de música, de história, e pelos interesses e pela aproximação do livro com o potencial leitor, vai-se vencendo as barreiras contra a leitura, que deixa de ser vista como uma tarefa chata e escolar para passar a ser vista como realmente é: o aprendizado mais divertido possível.

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Fonte: O Globo

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