Não empreste livros, doe de uma vez ou troque

Quem não gosta de se deitar numa rede preguiçosa em um dia de sol, ficar pegando uma brisa fresca e aproveitar para ler um bom livro. Muita gente faz isso, mas logo vem à vontade de compartilhar essas experiências literárias com outras pessoas, como parentes, namorada, amigos, vizinho e colegas de trabalho. Compartilhar histórias de romances, investigações, dramas e outras mais é algo que faz parte da natureza humana. Porém, é aí que mora um probleminha quase imperceptível para um dos lados da relação cultural.

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Quando a pessoa empresta aquele livro querido, ela espera um dia de revê-lo, ou melhor dizendo, relê-lo, a saudade dos personagens aperta, aí o que entre em xeque é o sentimento de posse por aquele ser inanimado e a preservação integral da confiança, estima e amizade pela pessoa que emprestou o livro e, por sua vez, esqueceu-se de devolvê-lo ou simplesmente realmente queria possui-lo sem nem, ao mesmo, ter o sentimento pesaroso no coração que um dia teria de entregá-lo de volta para seu verdadeiro proprietário.

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Porém, muita gente não se importa, pois, geralmente os livros não representam algo substancial na vida delas, mas tem pessoas que realmente interiorizam um ressentimento e já não olha com os mesmos olhos a pessoa que está em posse do objeto amado. É como se ela fosse banida do clube do livro, pois não está credenciada a participar de uma relação “civilizada” – de emprestar e devolver alguma coisa. Bom… Não sei se o caro leitor entendeu, mas este artigo tem um tom de comédia, pois essa perda do objeto não chega a ser motivo de um crime passional ou uma denúncia de furto e tal.

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Entretanto, todo mundo já passou por isso um dia. Eu, por exemplo, no último carnaval emprestei um livro para tia de um amigo meu e até hoje, depois de nove meses, ainda não vi nem sinal de que um dia eu poderei relê-lo. O nome do livro é Bandeirantes Espirituais do Brasil, do Século XVII, e o autor e o David Weitman. Dentro do estudo das manifestações literárias brasileiras e do conhecimento da língua, o livro é um trabalho que recupera manuscritos e documentos históricos. Porém, depois desse apelo, acho que, quem sabe, vou ter o prazer de lê-lo novamente.

Se eu fosse listar os livros que emprestei para inúmeras pessoas que um dia fizeram parte ou ainda fazem parte da minha vida, todas essas palavras anteriores soariam por demais soberbas, até porque, não sou tão obcecado por livros assim. Porém, reconheço a minha hipocrisia velada, pois também tenho alguns livros que preciso devolver aos donos fidedignos.

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Diante dessa relação freudiana entorno dos livros, pois enquanto um sente prazer, a outra pessoa sofre, resolvi lançar a campanha: “Não empreste livros, doe de uma vez ou troque”. Deste modo, você não perde o livro e nem um amigo, ou melhor, só vai ampliando seu ciclo cultural de amizades.

Fonte: http://goo.gl/BhrVls

 

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