Uma livraria é mais do que uma loja que vende livros

João Paulo Pinheiro trabalha na Livraria Ferin há 41 anos e tem visto as mudanças no negócio

  |  Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A livraria Ferin existe desde 1840 e, apesar das dificuldades, tem permanecido sempre na mesma família. No Dia da Livraria e do Livreiro fomos conhecer melhor a história desta casa, no Chiado, em Lisboa

João Paulo Pinheiro sabe o nome de muitos dos seus clientes, cumprimenta-os com um aperto de mão, pergunta-lhes pela família. Mais do que isso. Sabe os livros que eles gostam de ler e procura tê-los nas suas estantes para os surpreender quando eles passam por ali. Não é à toa que a Livraria Ferin, em Lisboa, existe desde 1840 e tem conseguido sobreviver a revoluções, a crises económicas e à concorrência cada vez mais feroz.

“Temos clientes bastante fidelizados, que sabem que encontram aqui aquilo que procuram”, explica João Paulo, que já trabalha ali há 41 anos e conhece bem os cantos à casa. “Procuramos ter um produto especializado, não massificado, com muitas coisas importadas a preços baixos.” Os livros de arte, história e política, assim como a grande variedade de títulos em francês, são algumas das marcas da casa. “Quem cá vem sabe com o que conta.”

Antes de ser uma livraria, a Ferin foi um gabinete de leitura

O nome da livraria tem origem no apelido de uma família belga que se fixou em Portugal na altura das guerras napoleónicas. O primeiro Ferin que se fixou em Portugal chamava-se Jean-Batiste e teve 11 filhos, dos quais sete começaram a trabalhar em profissões ligadas aos livros, como a tipografia ou a encadernação. Duas das suas filhas, Maria Teresa e Gertrudes, abriram um gabinete de leitura no Chiado, que era uma espécie de biblioteca. As pessoas pagavam um “aluguel” para ler os livros. Esse gabinete acabou por ser transformado em livraria – no local onde ainda hoje funciona.

A livraria existe desde 1840 e é a segunda mais antiga de Lisboa

  |  Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

A Livraria Ferin tem-se mantido sempre na mesma família, apesar de de vez em quanto ter tido outros sócios, de fora. Como agora, que tem desde 2011 uma parceria com a editora Principia, que detém 49% do capital. É que os dias não estão fáceis para o negócio dos livros: “As pessoas têm cada vez menos tempo e menos disponibilidade económica.” Esse é o principal desafio, diz. Claro que também há os e–books, mas João Paulo não acredita que os livros desapareçam: “O livro para mim não é só o que está lá escrito. É o aspeto, o cheiro, é o momento em que o compramos, é a pessoa a quem oferecemos. Só precisamos de tempo para poder desfrutar verdadeiramente dos livros.”

“Qualquer dia já não há livrarias”, comenta. Livrarias assim como esta, antigas, com estantes de madeira e livros por todo o lado, livrarias assim, como esta, que são livrarias e não lojas onde, entre outras coisas, também se vendem livros. A Ferin não vive só da tradição e do atendimento personalizado. Procura inovar-se e cativar novos clientes, por exemplo realizando eventos culturais, lançamentos e debates. Hoje mesmo, Dia da Livraria e do Livreiro, às 18.00, haverá um encontro de homenagem a Fernando Pessoa com J. B. Martinho, Rita Patrício e António Durães. A entrada é livre.

Fonte: http://goo.gl/AEsyU4

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