Performance Diária

Onde está o limite artístico? Quando o processo de criação vira um movimento?

 Conheça Felipe Bittencourt e a sua intrigante experiência de 365 dias que resultou no livro Perfomance Diária

O telespectador da vida cotidiana, o homem, pode se fechar num casulo para se conhecer melhor ou para simplesmente se observar. No caso de Felipe Bittencourt o que motiva esta insaciável experiência talvez seja o desconhecido, pela ânsia de explorar o pensamento e deixá-lo agir sem Lei.

“Todos os dias, de 08 de dezembro de 2010 até 07 de dezembro de 2011, ele colocou-se na situação de, ao acordar, pensar em uma perfomance artística, desenhá-la e postar o desenho em um blog – desenvolvido especialmente para esse fim – até às 10 horas de cada manhã, o que resultou em uma coletânea de 365 propostas de perfomances desenhadas”, apresenta com louvor a Doutora em Comunicação e Semiótica e pós-doutora em Artes, Fernanda Carlos Borges.

“Isso aqui é mágico”, diz Felipe diante da tamanha repercussão surgida antes mesmo do lançamento da obra. As postagem diárias no Flickr foram até parar numa exposição em Santa Catarina, no Sesc Joinville: “Faça algo errado, e diga que fui eu que mandei”, da curadoria de Kamilla Nunes.

Atravessou as fronteiras e inspirou uma perfomance no Chile, realizada por estudantes de Artes Plásticas, na curadoria de Paula Borghi, que cobriram uma casa velha com post-its. No ano passado, Felipe também foi selecionado para a residência artística da Red Bull House of Art, em São Paulo, sendo que alguns dos seus desenhos foram expostos no final da mostra.

“Ainda existiram situações inesperadas, fora do propósito artístico, tal quando duas mulheres solicitaram uma cópia do desenho da série ‘Armadilha para Príncipe’ que brinca com repertório iconográficos de contos de fadas, para presentear os seus companheiros no dia dos namorados”, surpreende-se Fernanda, também pesquisadora do corpo e da arte da perfomance.

Resumir o livro de Felipe, seria um crime inafiançável, afinal foi um ano de entrega. Mas, listamos abaixo, algumas das expressões que remetem as várias faces do “Perfomance Diária”, da mais Cult às mais bizarras ironias do autor. Ah, e não se espante se você encontrá-lo numa imponente livraria de Artes e no mesmo dia vê-lo no coffee table do seu dentista.

Não tenho ouro ou dinheiro para um coelho: “Para Beuys”, um dos principais nomes da performance mundial. O alemão realizava uma obra em que ficava parado, segurando um coelho morto e com o rosto coberto com ouro. Felipe diz para ficar parado e lambuzado e mel, segurando um coelho de pelúcia, em frente ao ventilador que dá um banho de glitter dourado no performer.

Isto não é uma ilusão: Homenagem a René Magritte, artista surrealista famoso pelas obras provocativas e com objetos cotidianos. Um exemplo famoso é o quadro Ceci n’est pas une pipe, com a imagem de um cachimbo e os dizeres “isto não é um cachimbo”. Na performance, Felipe diz ao performer para destruir um cachimbo com um taco de beisebol.

Náufrago: “Para Tom Hanks”, inspirado no filme de mesmo nome, protagonizado pelo ator. “O performer deve abrir um côco, tomar sua água, utilizar uma lasca como colher e comer seu conteúdo e, por fim, fazer uma carinha feliz no fruto.”

Não quero ser Abramovic: Baseada na história da famosa performer Marina Abramović, que divorciou-se do marido com uma performance: os dois posicionaram-se cada um em uma extremidade da muralha da China, caminharam até encontrar o outro, tiraram as alianças, jogaram fora e continuaram em direção à outra ponta. Nessa performance, Felipe sugere que o artista ande pela Muralha da China propondo casamento a todos até que alguém aceite.

 

Sobre o autor:Felipe Bittencourt é bacharel em Artes Visuais pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e especialista em fotografia pela Escola Panamericana de Arte e Design. Mora e trabalha em São Paulo, produzindo performances que pensam certas transposições de tradições dos anos 70 e 80 para a contemporaneidade e utiliza o desenho como base de pesquisa e desenvolvimento de seus trabalhos. Foi residente da 4ª edição do Red Bull House of Art e realiza diversas exposições, 20 delas só entre 2010 e 2011.

 

Ficha técnica:Edição: 1ª edição
Preço:
R$ 56,00
Formato:
15 x 15 cm
Acabamento:
Brochura
ISBN:
978-85-64013-54-4

Visite o site da editora!
www.nversos.com.br

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